The Birds (1963, Alfred Hitchcock).

Quinquagésimo filme do mestre do suspense, 'Os Pássaros' foge à regra e ao estilo padrão do diretor. No filme, Melaine Daniels (Tippi Hendren - ressuscitando sua carreira através deste filme) é a 'loira' já padronizada nos filmes de Hitchcock que se encontra com Mitch Brenner (Rod Taylor) em uma loja de animais e decide segui-lo até Bodega Bay.
Ao invés de conhecer o rapaz e seguir uma história de amor, a vida do casal se torna complicada quando a mãe do bonitão, outra figura já conhecida nos filmes de Hitchcock – a da mãe psicologicamente conturbada, Annie Hayworth (Suzanne Pleshett) se mostra intolerante com a mocinha da história. Eis que então sucede-se uma anomalia na região quando pássaros começam a atacar os habitantes da pequena Bodega Bay. O que parece ser um fenômeno estranho para Melaine, para os habitantes da cidade fica bem claro que esta ‘praga’ tenha sido trazida pela moça.
‘Os Pássaros’ torna-se um filme completamente homônimo dentro das obras do autor quando notamos a atmosfera sobrenatural que o filme trás em primeiro plano. Ora, Hitchcock é conhecido pelos seus suspenses policiais e assassinos humanos. Os homicidas, no caso, são os Pássaros do filme que atacam e destroem a tudo e a todos sem uma razão aparente. Não há um desdobramento de início, meio e fim nesta história: traduz-se, então, por uma série de acontecimentos, sem ‘happy-end’ ou até mesmo um ‘end’ com um porquê dos acontecimentos. O ponto chave aqui não são os pássaros assassinos nem o porquê deles o serem. Hitchcock explora o psicológico dos habitantes da cidade.
Na parte técnica do filme, destaca-se, principalmente, a montagem. A forma com que Hitchcock escolheu para realizar os ataques dos pássaros impressiona. O uso de sobreposição de películas é constante, principalmente na hora dos ataques. Na cena em que Melaine está na cabine telefônica, enquanto há do lado de fora um grande ataque, segundo os extras do DVD, há 3 películas sendo rodadas ali: a atriz na cabine, os pássaros atacando e uma pintura por trás. Uma pintura! Não há de se poder deixar de escapar, é claro, a costumeira aparição do diretor logo no início do filme, saindo da loja de animais com dois cachorros.
Sem falar na trilha sonora. Aliás, qual? O filme não conta com, definitivamente, nenhuma música. Desde os créditos iniciais, tudo o que ouvimos são os gritos e os estardalhaços dos pássaros, voando e batendo as asas. O que faz com que o filme ainda aumente sua gama de sobrenatural, ainda mais tenso.
“Os Pássaros” está entre o topo nos melhores filmes do diretor. Sem dúvida, para os anos 60, foi um filme inovador e cheio de recursos ainda não tão utilizados nos demais filmes da época. A pequena e pacata Bodega Bay não mais seria tão pacata nem tão pequena depois de Hitchcock enchê-la de pássaros anômalos.