terça-feira, 11 de maio de 2010

Como um Romance - Daniel Pennac

Os direitos do leitor por Daniel Pennac
1 - O direito de não ler.
2 - O direito de pular páginas.
3 - O direito de não terminar um livro.
4 - O direito de reler.
5 - O direito de ler qualquer coisa.
6 - O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível).
7 - O direito de ler em qualquer lugar.

8 - O direito de ler uma frase aqui outra ali.
9 - O direito de ler em voz alta.

10- O direito de calar.


O livro Como um Romance é de autoria do francês Daniel Pennac. O tema tratado é a leitura. O autor aponta os motivos pelo qual uma criança cresce gostando de ouvir histórias e, posteriormente, se torna um adolescente com medo das palavras. Daniel Pennac descreve as cenas de uma rotina com um pai, um filho e um livro. Rotina que muitas crianças são acostumadas e educadas durante toda a infância. As consequências, segundo o autor, são nítidas: um adolescente que gosta de ler.
       Sua narração durante o exemplar é retilínea e confortável. Por ser metalingüístico, ou seja, um livro sobre a leitura, não há propriamente dito um “clímax”. Embora isso não o torne cansativo. Como um romance é desaconselhável para quem procura uma literatura mais “forte”. Devemos saber do que está sendo tratado, um romance feito sobre o universo literário e a paixão por livros. Se o leitor busca algo com ação, aventura, comédia ou mistério, deveria ler Rubem Fonseca, Agatha Christie ou, até mesmo, André Vianco.  Pennac demonstra sua habilidade com a literatura fazendo uma ponte entre o leitor e uma biblioteca, denotando um conhecimento abrangente sobre o tema.
        Os autores citados no livro são tratados com uma delicadeza e empolgação que acaba dando vontade de procurar os títulos e lê-los (se ainda não o fizemos). Ele transforma a literatura em algo gostoso e fácil, como Ricardo Noblat fez com o jornalismo. A impressão é que Pennac conviveu anos com Gustave Flaubert, Lieve Tolstói e todos os outros escritores citados antes de produzir Como um Romance.
         Essa proximidade que ele trata Flaubert ou Tolstói produz em nós, seus leitores, outra intimidade. Entre mim e Pennac. Você e Pennac. Ele usa uma linguagem corrida que, aliada às lembranças descritas, produz uma sensação íntima. Essa sensação de que podemos chamá-lo de “Daniel” e tratá-lo como um velho amigo. Todo o universo das letras é exibido durante o Como um Romance. Tentamos entender a literatura buscando nela própria e descobrindo a beleza de conseguir discutir um romance como ele discutiu a leitura.

Janaina Lellis


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Colores, Colores.





O mundo seria chato e triste sem as cores (cores, cores...)
Sem o arco-íris, que pinta as flores
Sem o céu azul, as nuvens vermelhas
Sem a vida verde que pinta as folhas.
O mundo seria chato e triste sem as cores (cores, cores..)

Cores de pele
Cores de olhos
Cores de cabelos
Cores, cores...
A mesma cor nos pinta por dentro
As mesmas cores dos sentimentos.
O mundo seria chato e triste sem as cores (cores, cores...)

Tantas crianças de cores,
Tantos sonhos e ilusões,
Cores, Cores...
Tantos sorrisos brilhantes
Tantos pequenos gigantes
Cores, Cores...

O mundo seria chato e triste sem as nossas cores.

Tem gente no mundo que pensam que são superiores (cores, cores...)
Que querem separar a nós todos pelas nossas cores (cores, cores...)
E começam até começam guerras, são malvadas
Com todos os que tem a pele diferente.
O mundo seria chato e triste sem as ccores (cores, cores...)

Cores de pele,
Cores de olhos,
Cores de cabelos,
Cores, Cores..
A mesma cor nos pinta por dentro
A mesma cor dos sentimentos.


Bacilos - Colores, Colores.

domingo, 18 de abril de 2010

Os Pássaros

The Birds (1963, Alfred Hitchcock).




Quinquagésimo filme do mestre do suspense, 'Os Pássaros' foge à regra e ao estilo padrão do diretor. No filme, Melaine Daniels (Tippi Hendren - ressuscitando sua carreira através deste filme) é a 'loira' já padronizada nos filmes de Hitchcock que se encontra com Mitch Brenner (Rod Taylor) em uma loja de animais e decide segui-lo até Bodega Bay.


Ao invés de conhecer o rapaz e seguir uma história de amor, a vida do casal se torna complicada quando a mãe do bonitão, outra figura já conhecida nos filmes de Hitchcock – a da mãe psicologicamente conturbada, Annie Hayworth (Suzanne Pleshett) se mostra intolerante com a mocinha da história. Eis que então sucede-se uma anomalia na região quando pássaros começam a atacar os habitantes da pequena Bodega Bay. O que parece ser um fenômeno estranho para Melaine, para os habitantes da cidade fica bem claro que esta ‘praga’ tenha sido trazida pela moça.


‘Os Pássaros’ torna-se um filme completamente homônimo dentro das obras do autor quando notamos a atmosfera sobrenatural que o filme trás em primeiro plano. Ora, Hitchcock é conhecido pelos seus suspenses policiais e assassinos humanos. Os homicidas, no caso, são os Pássaros do filme que atacam e destroem a tudo e a todos sem uma razão aparente. Não há um desdobramento de início, meio e fim nesta história: traduz-se, então, por uma série de acontecimentos, sem ‘happy-end’ ou até mesmo um ‘end’ com um porquê dos acontecimentos. O ponto chave aqui não são os pássaros assassinos nem o porquê deles o serem. Hitchcock explora o psicológico dos habitantes da cidade.

Na parte técnica do filme, destaca-se, principalmente, a montagem. A forma com que Hitchcock escolheu para realizar os ataques dos pássaros impressiona. O uso de sobreposição de películas é constante, principalmente na hora dos ataques. Na cena em que Melaine está na cabine telefônica, enquanto há do lado de fora um grande ataque, segundo os extras do DVD, há 3 películas sendo rodadas ali: a atriz na cabine, os pássaros atacando e uma pintura por trás. Uma pintura! Não há de se poder deixar de escapar, é claro, a costumeira aparição do diretor logo no início do filme, saindo da loja de animais com dois cachorros.


Sem falar na trilha sonora. Aliás, qual? O filme não conta com, definitivamente, nenhuma música. Desde os créditos iniciais, tudo o que ouvimos são os gritos e os estardalhaços dos pássaros, voando e batendo as asas. O que faz com que o filme ainda aumente sua gama de sobrenatural, ainda mais tenso.


“Os Pássaros” está entre o topo nos melhores filmes do diretor. Sem dúvida, para os anos 60, foi um filme inovador e cheio de recursos ainda não tão utilizados nos demais filmes da época. A pequena e pacata Bodega Bay não mais seria tão pacata nem tão pequena depois de Hitchcock enchê-la de pássaros anômalos.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Aqui haver-se-ão críticas. Filmes, teatro e o que houver para se criticar.