Os direitos do leitor por Daniel Pennac
1 - O direito de não ler.
2 - O direito de pular páginas.
3 - O direito de não terminar um livro.
4 - O direito de reler.
5 - O direito de ler qualquer coisa.
6 - O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível).
7 - O direito de ler em qualquer lugar.
8 - O direito de ler uma frase aqui outra ali.
9 - O direito de ler em voz alta.
10- O direito de calar.
O livro Como um Romance é de autoria do francês Daniel Pennac. O tema tratado é a leitura. O autor aponta os motivos pelo qual uma criança cresce gostando de ouvir histórias e, posteriormente, se torna um adolescente com medo das palavras. Daniel Pennac descreve as cenas de uma rotina com um pai, um filho e um livro. Rotina que muitas crianças são acostumadas e educadas durante toda a infância. As consequências, segundo o autor, são nítidas: um adolescente que gosta de ler.
Sua narração durante o exemplar é retilínea e confortável. Por ser metalingüístico, ou seja, um livro sobre a leitura, não há propriamente dito um “clímax”. Embora isso não o torne cansativo. Como um romance é desaconselhável para quem procura uma literatura mais “forte”. Devemos saber do que está sendo tratado, um romance feito sobre o universo literário e a paixão por livros. Se o leitor busca algo com ação, aventura, comédia ou mistério, deveria ler Rubem Fonseca, Agatha Christie ou, até mesmo, André Vianco. Pennac demonstra sua habilidade com a literatura fazendo uma ponte entre o leitor e uma biblioteca, denotando um conhecimento abrangente sobre o tema.
Os autores citados no livro são tratados com uma delicadeza e empolgação que acaba dando vontade de procurar os títulos e lê-los (se ainda não o fizemos). Ele transforma a literatura em algo gostoso e fácil, como Ricardo Noblat fez com o jornalismo. A impressão é que Pennac conviveu anos com Gustave Flaubert, Lieve Tolstói e todos os outros escritores citados antes de produzir Como um Romance.
Essa proximidade que ele trata Flaubert ou Tolstói produz em nós, seus leitores, outra intimidade. Entre mim e Pennac. Você e Pennac. Ele usa uma linguagem corrida que, aliada às lembranças descritas, produz uma sensação íntima. Essa sensação de que podemos chamá-lo de “Daniel” e tratá-lo como um velho amigo. Todo o universo das letras é exibido durante o Como um Romance. Tentamos entender a literatura buscando nela própria e descobrindo a beleza de conseguir discutir um romance como ele discutiu a leitura.
Janaina Lellis

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